The Ginga Daily

Há alguns dias, me deparei com uma coisa interessante, tanto em termos de aplicativo quanto de conteúdo: o jornal online “The Ginga Daily“, do grupo Capoeira Brasil Tempe, da cidade de Tempe, Arizona (EUA).

The Ginga Daily, jornal do grupo Capoeira Tempe (Arizona), em 26 de janeiro de 2012

Aparentemente, a plataforma Paper.li é uma espécie de curadoria de conteúdo, feita por pessoas mesmo, e não por robôs (no sentido informático do termo). Se entendi bem, vc pode criar um jornal escolhendo quais são os tópicos de interesse, a partir dos quais ele será atualizado constantemente com conteúdos selecionados pelos curadores.

Paper.li/home em 10 de fevereiro de 2012

Paper.li/about em 10 de fevereiro de 2012

O grupo Capoeira Brasil Tempe foi o primeiro que encontrei na rede social Google Plus, há alguns meses. Hoje, a página está bastante recheada de fotos e postagens.

Página do grupo Capoeira Brasil Tempe, no Google +, em 26 de janeiro de 2012

Pelos cordões utilizados pelos capoeiristas nas fotos, suponho que o grupo seja filiado ao Senzala, grupo de capoeira regional bastante expressivo no exterior. Demorei um pouco para conseguir encontrar o mestre ao qual o grupo é ligado, e assim que consegui, não no Google + mas no site do grupo, verifiquei que minha hipótese estava meio correta.

O grupo é ligado não a um, mas a dois mestres – o que é bastante raro de se ver. São eles: o mestre Boneco, aparentemente o mais velho e fundador do grupo; e o mestre Caxias, formado pelo Mestre Boneco, pelo que entendi. Ambos são brasileiros residentes nos EUA. O brasão do grupo, no entanto, não faz menção direta a nenhum dos dois, mas sim ao prof. Trovão, aluno graduado do grupo, e possivelmente americano.

O mestre Boneco foi membro do grupo Senzala por 18 anos, até que, em 1989, saiu para formar o grupo Capoeira Brasil, uma rede com afiliados em todos os Estados Unidos. O Capoeira Brasil Tempe, que pensei a princípio ser um pequeno grupo no Arizona, é parte de um grupo com afiliados nos Estados Unidos, Austrália, Alemanha, França e Países Baixos, como afirma seu verbete na Wikipédia.

E pelo que estou percebendo, mesmo antes de fazer uma análise exaustiva, é que não existe nenhuma centralização nas plataformas digitais de comunicação dos grupos Capoeira Brasil em cada localidade. Ainda que pertencentes a um “macro grupo”, institucionalizado, cada grupo constrói a sua “casa” na rede, muitas vezes a partir de plataformas replicáveis e customizáveis, de acordo com suas próprias necessidades.

Bem, voltando ao The Ginga Daily e à pg do Capoeira Brasil Tempe no Google +, há algumas coisas que eu gostaria de destacar.

Em primeiro lugar, o visual “gringo” de ambos os ambientes. A linguagem iconográfica, os fenótipos das pessoas retratadas, o idioma utilizado, têm poucos elementos que tragam à tona alguma brasilidade.

Em segundo lugar, as traduções e significados que o grupo emprega para falar da capoeira. Podemos observar tanto no The Ginga Daily quanto nas postagens do Google + que os assuntos escolhidos são bastante variados, mas tendem a ter um enfoque na educação física: artigos como “como se alongar”, “exercícios complementares”, “benefícios da capoeira ao cérebro” ou “benefícios da capoeira às crianças” são alguns exemplos disso. Talvez isso demonstre, por um lado, uma estratégia de tradução cultural – uma vez que estes discursos podem ter mais penetração em certos públicos e driblar alguns preconceitos – e por outro, uma estratégia mercadológica, pois, afinal, eles sobrevivem como uma academia, vendendo aulas. Seja pela capoeira como um fim ou como um meio, o importante é conseguir trazer alunos.

Provavelmente, se olharmos para os eixos temáticos escolhidos para a seleção de conteúdo do The Ginga Daily, encontraremos bastante sobre exercícios e artes marciais, e nem tanto sobre africanidades, por exemplo.

Em terceiro lugar, eu gostaria de destacar a influência da cultura letrada nas estratégias de comunicação do Capoeira Brasil Tempe.  O fato do grupo ter escolhido fazer um jornal, ainda que online, o situa mais perto da cultura tipográfica que da cultura oral típica da capoeira do séc. XX.  A mesma característica se verifica na pg do Google +, com grande presença de artigos escritos e frequentemente atravessados em maior ou menor grau pelo discurso científico.

Eu me pergunto às vezes se essa seria uma tendência da capoeira a partir de sua globalização e sua digitalização: se tornaria uma cultura progressivamente escrita? Seria esse um fator de “embranquecimento” da capoeira, necessário a novas negociações culturais?

Ainda assim, gosto de me lembrar sempre do que me diria o tio McLuhan: o digital é um meio audiotáctil e a capoeira está se tornando não uma cultura escrita, mas sim hipermídia – a escrita está inclusa com certeza, mas também os vídeos e as imagens e a percepção em mosaico, e não em linha.

Vale lembrar o sucesso que fazem os videos entre os capoeiristas em rede.

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Diário dos silêncios

Nada de novo há alguns dias, graças a uma gripe que comeu boa parte das minhas horas de trabalho esta semana.

Mas continuo, silenciosamente, explorando a floresta e tentando fazer contato com seus habitantes. Hoje, tentei novamente entrar em contato com alguém do Capoeira Mogador, depois de algumas tentativas frustradas: Hadjie e Fadwa, os administradores do grupo do Face, nunca responderam as minhas mensagens enviadas via Facebook. Será q eles não falam inglês?

Hoje, enviei uma mensagem via canal do Youtube ao Ayouch, o “saw boy” dos videos. Ele parece falar um pouco de inglês, pelo que se observa em seu perfil. Vou torcer para que ele me responda.

Mais ou menos conscientemente, eu tentei entrar em contato primeiro com os perfis individuais que identifiquei no Capoeira Mogador, deixando seu contato institucional – o canal do grupo no Youtube – como último recurso. Ironicamente, este foi o único que me respondeu, quando perguntei sobre a música utilizada no video.

Nos planos offline, estou tentando marcar uma conversa com o mestre Gladson para explicar minha pesquisa e começar a fazer as entrevistas (com ele, inclusive). Preciso com certa urgência preparar um material para conseguir explicar para ele o q estou fazendo.

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Amálgamas improváveis

Na semana passada, comentei em um post que havia encontrado, no canal do Capoeira Mogador no Youtube, um vídeo com uma música cujo idioma eu não conseguia identificar. Deixei um comentário no canal perguntando que música era e (YES) me responderam \o/

Capoeira Mogador - comentários - 01 de fevereiro de 2012

Lá fui eu, então fazer uma busca pela cantora de nome nada estranho – Elisete – e sua música de nome também muito familiar – “Capoeira”.

Encontrei primeiro a letra da música, num desses sites de letras de músicas, o Kboing:

Site Kboing - pg sobre a canção Capoeira, de Elisete. 01 de fevereiro de 2012

A estranheza que eu experimentei diante dessas informações foi imediata: no topo da página, o visual totalmente afro-brasileiro de Elisete, combinando com seu nome potencialmente brazuca. Abaixo, a letra da música “Capoeira” em um idioma que, mesmo escrito, ainda era um mistério para mim.

Pesquisando mais um pouco acabei caindo no site oficial da Elisete, onde pude ler sua biografia.

Home Page oficial de Elisete, em 01 de janeiro de 2012

Pois bem. E eis que a moça é brasileira, mas mudou-se para Israel há mais de 20 anos. E o resultado disso é que ela canta belas canções cheias de brasilidade, em que algumas palavras familiares se destacam em meio ao idioma hebreu.

Elisete é um excelente exemplo dos fluxos disjuntivos que governam os movimentos de populações e culturas pelo globo, como sugere Arjun Appadurai (1996). Fluxos que possibilitam amálgamas improváveis, surpreendentes e, frequentemente, bem sucedidas.

De sua biografia, também podemos depreender que a cantora tem uma relação bastante especial com a mídia:

“Elisete was born in Brazil and came to Israel in 1991 directly into the shelters during Golf war where she started teaching herself Hebrew with the help of the Israeli TV program ‘Zehu-Ze’ and news anchor man Haim Yavin.
In the first years in Israel Elisete was a dancer and a dance teacher of Brazilian dance for children.
Elisete’s story is a long saga with optimistic concliusions: Elisete syas she sings as a part of her mission to bring happiness to the Israelis. Cynics reading this will laugh. Cynics hearing her say this will be captured in her magic and believe in it. With this attitude and with her energy and joy Elisete sings about life in the most Israeli angle but also in the most Brazilian. Elisete’s lines have simplicity, warmth and a lot of love in them. Her rhythms and voice takes us to the Brazil she always carries in her hart.
Elisete discovered the digital media and using the internet wisely she has made herself known internationally. A video of her song ‘Andando por Tel-Viv got a huge exposure on the front page of the German YouTube. Elisete took a melody written by German musicians she met on YouTube and wrote lyrics to the song that was dedicated to Tel-Aviv, her favorite town.
Elisete is very active in FaceBook and MySpace and gets a lot of positive feedback from her audience.”

A cantora aprendeu o hebraico com a ajuda de um programa de televisão. E seu sucesso e projeção internacional não se devem à grande mídia ou a uma gravadora, mas sim ao Youtube alemão, ao MySpace e ao Facebook.

Graças aos ethnoscapes e mediascapes de um mundo globalizado, podemos ouvir Elisete cantar a capoeira em hebraico. E sem mais pudores de atravessar oceanos, podemos encontrá-la embalando o jogo de capoeiristas marroquinos. Amálgamas melodiosas de vozes tão distantes.

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Yes, eles são autodidatas!

O site Capoeira Social Clube se mostrou um belo exemplo para análise, mas o que é ainda melhor é que ele me abriu uma conexão para algo ainda mais impressionante: o grupo Capoeira Mogador: pelo que eu vi no Capoeira Social Clube, e na página do próprio grupo no Face, eles parecem ser um grupo de capoeiristas autodidatas, em Essaouira, no Marrocos, que aprenderam a maior parte daquilo que sabem a partir de videos no Youtube.

Se isso for verdade, o Capoeira Mogador vai se tornar um dos melhores estudos de caso da minha pesquisa. Depois de muitos dias de hesitação, resolvi finalmente dar meter as caras no circuito e entrar em contato com eles pela página doFace:

Página do grupo no Facebook em 16 de janeiro de 2012

Quero registrar que essa foi a primeira vez que eu me apresentei, diante do meu circuito, como pesquisadora deste tema que venho estudando há dois anos. Ponto pra mim. Ironicamente, eu não sei se vou obter resposta. A última atualização do grupo é de novembro, e até agora ninguém me respondeu.

Talvez eu tenha q sair mandando mensagem para os administradores do grupo, Hadji Wadie e Fadwa Aboubakr. Mas vou segurar um pouco mais a minha ansiedade internética e esperar mais um dia ou dois.

Enquanto isso, vou pesquisando no Youtube os videos do grupo, pra ver se consigo depreender um pouco da história.

Parece que eles participaram até do Arabs Got Talent (existe isso, minha gente!). Eis o video, postado pelo próprio canal de TV (MBC), em 12 de março de 2011.

Não são permitidos comentários a este vídeo, o que provavelmente é uma configuração do canal. Em todo caso, a distância linguística comprometeria bastante a compreensão… Vale registrar que metade do video eu não consegui entender praticamente nada.

De qualquer forma, a performance deles é impressionante. Neste outro video, de 2007, eles fazem uma apresentação de maculelê, também sobre um palco, e também com uma performance bastante invejável:

No próximo video, podemos vê-los jogando um pouco de capoeira, ao som de uma música cantada em português. O jogo é fluido e harmônico, capoeira regional muito bem jogada. O video é de 2007:

Em uma busca por “capoeira mogador” no Youtube, a página exibe muitos vídeos compartilhados em 2006, 2007 ou 2008. No entanto, alguns vídeos datam de 7 meses até uma semana atrás, de certa forma uma prova de que o grupo continua ativo. O vídeo abaixo, compartilhado em 12 de janeiro de 2012, mostra um grupo jogando no calçadão próximo à praia. Mas além disso, ele também é fantástico por conter, na trilha sonora, uma música sobre capoeira cantada em uma língua desconhecida.

Perfis do Youtube

Grande parte dos vídeos mais recentes foi compartilhada pelo usuário ayouchsouiri, auto-intitulado Saw Boy (“garoto serra”), assim como alguns videos colocados por ele no Youtube. Ele pode ser visto na maioria dos vídeos, algumas vezes jogando com os companheiros, e muitas vezes fazendo exibições individuais de golpes e acrobacias diante da câmera.

Canal de ayouchsouiri (Youtube) em 23 de janeiro de 2012

http://www.youtube.com/user/ayouchsouiri

Abaixo, podemos ler, com alguma dificuldade: “no room for traninig . no prof. just my god with us and best friend ;) ^^ thanks averybody”

Esta pode ser uma frase sintomática das transformações nas formas de ensinar e aprender capoeira pelo mundo.

Capoeira Mogador também tem um canal oficial/institucional (http://www.youtube.com/user/TheCapoeiraMogador), criado em 11 de janeiro de 2012.

Canal de Capoeira Mogador no Youtube em 23 de janeiro de 2012

O canal é bem recente e, apesar de ter compartilhado apenas um vídeo de capoeira e um do pôr-do-sol em Essaouira, conta até agora 117 exibições. O único inscrito, ali contabilizado, sou eu.

Outros usuários que compartilham videos do grupo são: yassinejil, Essaouiragirl e suicidier. São provavelmente membros ou amigos do grupo. Seus envios de videos são variados, sendo apenas uma pequena parte relativa ao grupo Capoeira Mogador. Mas podemos ver pelos seus feeds (videos que gostaram, e que portanto passam a constar no canal) vários outros videos de capoeira.

Bem, acho que isso é tudo que a Web pode me dizer, por enquanto, sobre o Capoeira Mogador… O próximo passo é de fato conseguir alguma interação com essas pessoas.

Apenas uma informação para fechar o post: graças às bênçãos do conhecimento livre e coletivo fornecido pela Wikipédia, acabo de descobrir que Mogador, nome que o grupo escolheu para si, era na verdade o nome português da cidade de Essaouira no séc. XVI. Terá essa longínqua presença portuguesa facilitado de alguma forma a proximidade com uma cultura brasileira como a capoeira?

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On the maps!

Como prometido, os últimos dias foram de reestruturação geral da casa. Uma repaginada no visual, alguma informação sobre quem caralhos escreve, e finalmente, organizar a bagunça de links que coloquei aqui até agora, separando por tipos. Falta só revisitar as páginas e conseguir explicar minha pesquisa de maneira um pouco mais clara, tarefa que obviamente deixei por último devido à sua complexidade.

Mas mesmo não completamente pronto, ontem eu desbloqueei o blog para os motores de pesquisa. O que basicamente significa que ele está mergulhado no hipertexto tanto quanto o meu circuito de estudo.

Eu encontrei algumas dificuldades na arrumação da bagunça (o que pra quem me conhece não é surpresa nenhuma), principalmente na classificação dos links, ou seja, dos ambientes digitais que visitei e decidi manter uma conexão por aqui. Por enquanto, estou dividindo em: sites; blogs; páginas do facebook; outras redes sociais; wiki.

A dificuldade era, muitas vezes, diferenciar sites de blogs. Um site pode ser montado em plataforma blog, por exemplo. Por outro lado, muitas vezes um site contém um blog. E alguns sites parecem conter comunidades, o que eu vou ter que checar e decidir se é vantajoso criar mais uma categoria. Enfim, ainda não sei se divido arbitrariamente pelas tecnologias de arquitetura (por exemplo: blogs são feitos em blogspot ou wordpress; comunidades podem ser feitas em joomla ou hospedadas em plataformas de redes sociais; e sites são programados na unha mesmo) ou se vou optar por uma classificação menos artificial (como tenho feito), de entender a organização da informação, o estilo, o dinamismo de atualização e as formas de interatividade.

Acho q devo seguir este segundo caminho para dar nome às regiões do meu mapa. Tenho que lembrar de arranjar algum bom guia que me ajude.

 

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Ano novo, visual novo

Aqueles que me conhecem sabem que eu sou um tanto apegada às coisas, e que mudanças para mim muitas vezes são difíceis…

E eu não estou falando de mim, mas sim deste lugar que venho habitando há dois anos – o meu blog. Abrindo o painel de controle, há alguns dias, eu reparei que ele ainda está bloqueado para motores de pesquisa.

Está certo, eu o fiz assim. Mas se quero levar a sério a minha metodologia de pesquisa em ambientes digitais – que basicamente significa percorrer os circuitos e também me deixar ser percorrida por eles – isso não pode continuar assim. Assim sendo, preciso preparar este blog para estar realmente na rede, nos mapas, nas errâncias de outros, construindo links no hipertexto e nós na rede.

Por isso, coloco aqui um dos últimos registros do seu visual e arquitetura como foram até hoje.

Visual do blog em 11 de janeiro de 2012

Eu provavelmente não mudarei o tema, pois gosto muito dele. Mas a imagem do cabeçalho, da qual também gosto muito, terá de sair. Ela por muito tempo representou para mim o que eu venho chamando de roda em rede – formas culturais tradicionais aparentemente fechadas, mas que estão ligadas a uma complexa rede que as alimenta e as coloca em devir. São, aparentemente, forças de vertiginosa desintegração da estabilidade, mas que na verdade asseguram a perpetuação de seu dinamismo interno.

Também me lembra bastante do conceito de “margens como enzima”, de Barbero (1997).

Mas enfim, talvez ela deva ser substituída por algo mais capoeirístico. Provavelmente será esta imagem aqui:

Ela não é mais bonita, mas fala mais aos que estão de fora das minhas pirações.

O nome do blog, provavelmente, será alterado para algo mais próximo do título da minha pesquisa.

Os textos das páginas também precisam ser melhorados, para que as pessoas consigam entender o que eu estou fazendo (tarefa difícil para o pesquisador, que muitas vezes nem entende a si mesmo).

Enquanto escrevo esse post, já estou fazendo algumas mudanças. A meta é chegar ao fim dessa semana com cara nova e pronto para se jogar nesse marzão.

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Capoeira Social Clube

Este post já ficou no rascunho uns três meses e já faz três dias que estou tentando escrevê-lo… rs.

Enfim, quero comentar um pouco sobre este site que achei no fim do ano passado, o Capoeira Social Clube (http://voltadomundo.com/capoeira/).

Trata-se de uma comunidade joomla de aparência bem simples (à primeira vista, parece inclusive um site de outras épocas da Web). O que chama atenção logo de cara é a peculiaridade da imagem da home: a ilustração mostra o planeta Terra, com dois capoeiristas jogando em cima, em meio ao universo cheio de outros planetas e estrelas.

É uma representação bem interessante da capoeira globalizada, mas que não se detém no globo: existe um Unvelt (entorno), o universo, que o envolve e ao mesmo tempo expõe a sua pequenez.

O planeta aparece circundado por um anel onde se lê “volta do mundo”, uma expressão bastante comum no mundo da capoeira, utilizada para designar uma determinada performance dos capoeiristas na roda, um momento em que ambos interrompem o jogo e caminham pelo espaço interno periférico do círculo.

Abaixo da figura, vê-se o perfil do Corcovado, indicando que os “curadores” do site têm raízes no Rio de Janeiro, o que se confirma nos textos. No entanto, pouco saberemos a mais sobre os autores: parece haver uma ligação entre o site e o grupo Senzala, de Mestre Peixinho, mas em lugar algum encontrei a identificação dos autores.

No cabeçalho da página, logo abaixo do nome, pode-se ler o slogan “uma roda aberta”. Esta frase, somada à figura, aponta a visão dos autores sobre a capoeira hoje e sobre a iniciativa do site. Na verdade, parece bastante com a própria ideia da minha pesquisa… Eles parecem entender o site como um espaço de compartilhamento de informações com todos aqueles que habitam o “planeta Terra” ou o “universo da capoeira”. O site torna-se um espaço de difusão da cultura pelo e para o mundo.

Algumas frases revelam também o posicionamento dos autores sobre o próprio devir da cultura, no caso, da capoeira: “o CAPOEIRA SOCIAL CLUBE gosta da Idéia de estar em movimento.” Ou ainda, afirmam que a capoeira é “um Universo que não para de crescer”.

Neste contexto e com essa visão de mundo, o site possui hj uma considerável riqueza de conteúdos sobre capoeira, com as abordagens mais diversas: artigos sobre a história da capoeira, música, instrumentos, polêmicas (Ex: a capoeira veio da África?), datas comemorativas, vestimentas, dicas de saúde, legislação, etc. Há também espaço para comercializar alguns produtos exclusivos, como camisetas.

Destaca-se a seção dedicada a crianças, com personagens e conteúdos hipermídia especialmente desenvolvidos para este público.

Além das hipermídias para crianças (“Tum tum a história que eu sei”), o site disponibiliza mais alguns projetos especiais, como o “Álbum de figurinhas“: um ambiente hipermídia que simula um álbum com figurinhas de capoeiras históricos – e de qualquer outro capoeirista que quiser se cadastrar.

A própria “loja” do site é uma hipermídia: http://voltadomundo.com/store.html

A página sobre academias de capoeira no Brasil e no mundo será mais do que útil para a minha pesquisa, pois funciona como um verdadeiro guia de grupos, cada qual com seu respectivo site.

Mas uma das seções que mais me chamaram a atenção foi a Diário de Bordo. Aparentemente, trata-se de uma seção dedicada a falar sobre experiências de ensino da capoeira em outros lugares do mundo. No artigo sobre a capoeira no Marrocos, encontrei o seguinte trecho:

“Mesmo sem a presença de instrutores, grupos de capoeiristas estão brotando em diversas cidades. É o caso da associação Capoeira Mogador, de Essaouira – cidade turística na costa marroquina. Foi formada por jovens que descobriram a capoeira na Internet, graças a sites como You Tube.

Um deles, Redouan, de 27 anos, fabricou um berimbau. “Tinha mil defeitos. A corda estava mal-amarrada, o som estava errado, mas um turista me viu andando na praia com o instrumento e me perguntou se eu era capoeirista”, conta Redouan. “Para minha sorte, ele era capoeirista e nos deu algumas aulas.”

No Cairo, um grupo de 20 pessoas está treinando sozinho, enquanto espera que alguém responda a um anúncio de “busca-se professor” no site www.capoeira.com”.

Apenas este parágrafo já me diz que precisarei correr atrás desta experiência, que provavelmente vai merecer um post (ou mais) só pra ela.

Vale notar que a seção Diário de Bordo é a mais comentada do site, e os comentários, vindos quase sempre dos sujeitos retratados nos artigos, são os mais efusivos. São também o único lugar onde encontrei alguma manifestação mais pessoal dos autores.

OBSERVAÇÕES:

Bem, para mim, o que fica de mais importante deste site, além dos outros caminhos hipertextuais que ele abriu:

1. A linguagem textual e pictórica revela uma grande consciência dos autores com relação à situação global da capoeira: sua unidade de medida é nada menos que o planeta Terra. Além disso, eles se mostram impelidos a compartilhar informação na rede a partir de seu site, colocando-a na “roda aberta” que é a rede e a própria cultura da capoeira, em expansão e transformação.

2. Apesar de, enquanto ambiente digital, o site apresente condições bastante reduzidas de interatividade (que se limita, basicamente, aos comentários, que são pouco utilizados), restringindo a inserção de conteúdo aos autores anônimos, existe uma disposição ao diálogo e um incentivo à participação dos usuários. Além da seção “Cadê Você”, em que o usuário pode enviar ao site diversos tipos de conteúdos para serem publicados, os autores, em seus textos, constantemente apelam pela participação do leitor, e abrem um canal de envio de conteúdo.

Flanando pela rede hoje, provavelmente por alguma porta aberta pelo Capoeira Social Clube, encontrei mais um achado: uma página, no Facebook, sobre o recém-falecido Mestre Peixinho, fundador do grupo Senzala. A página virou uma espécie de centro de memória sobre o mestre, e o curioso é que ele (seu perfil) continua postando…

http://pt-br.facebook.com/pages/Mestre-Peixinho/147483461990395

Mas isso é assunto para um próximo post.

Ufa, como isso é difícil, gente!

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